
Quando entrou para o Balé da Cidade de São Paulo, Grécia Catarina, de 31 anos, sabia que seria a única bailarina negra da companhia. Era 2018, ela havia se formado no Ballet Jovem Minas Gerais e não via chances de seguir carreira no Brasil por causa da cor da pele.
“Só fiz a audição no Balé da Cidade porque o Ismael Ivo era o diretor. Pensei ‘esse homem preto vai olhar para mim como uma potência, e não a partir de um olhar eurocêntrico’”, diz. Ivo, contratado em 2017 e morto em 2021, foi o primeiro diretor negro do grupo.
Seis anos depois, a estreia de “Réquiem SP” marca a última apresentação de Catarina como a única mulher negra do grupo. Nos próximos espetáculos, ela estará acompanhada por Safira Santana Sacramento, de 25 anos, e Cleia Santos de Souza, de 27, aprovadas no primeiro edital de seleção da companhia exclusivo para bailarinas negras e indígenas.
O processo teve três fases, pré-seleção, entrevistas e residência artística. Durante a residência, quatro finalistas passaram uma semana em São Paulo e participaram da montagem da coreografia junto do corpo de balé e do coreógrafo Alejandro Ahmed.